segunda-feira, 13 de junho de 2011

Brotos cultivados na Alemanha são origem mais provável do surto de E. coli


RIO - As autoridades sanitárias alemães anunciaram nesta sexta-feira "com quase total segurança" que sementes germinadas em forma de brotos de vegetais procedentes de uma pequena propriedade em Bienenbüttel, na Baixa Saxônia, são as responsáveis pela infecção de E.coli que já deixou 31 mortos na Alemanha e um na Suécia, e infectou quase três mil pessoas. Os porta-vozes do Instituto Robert Koch e do Instituto Federal de Avaliação de Riscos fizeram o anúncio numa coletiva de imprensa conjunta em Berlim.

- São os brotos de feijão - disse Reinhard Burger, do Instituto Robert Koch.- As pessoas que consumiram esses alimentos tinham nove vezes mais probabilidade de ter uma diarreia hemorrágica que as que não os comeram - acrescentou, concluindo que o surto de E.coli não terminou.

Os dois representantes informaram ainda que foi suspenso no país o alerta contra o consumo de pepinos, alfaces e tomates crus.

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Andreas Hensel, do Instituto Federal de Avaliação de Riscos, considerou "possível que o mistério da fonte original da infecção tenha sido resolvido". A equipe de pesquisadores da agência acredita que os alimentos infectados já podem ter saído de circulação. No entanto, Hensel insistiu que não é recomendável comer brotos de vegetais germinados crus na Alemanha até que se tenha certeza sobre a segurança.

Os cientistas já consideravam cada vez mais firmes os indícios que relacionavam a infecção pela bactéria E.coli enterohemorrágicas (EHEC) com os brotos de feijão e outros legumes procedentes da plantação em Bienenbüttel. As autoridades baseiam suas afirmações no registro comercial da empresa, cujos produtos foram vendidos diretamente ou através de intermediários, nas zonas geográficas onde foram registrados mais casos de contaminação, particularmente em Hamburgo e na Baixa Saxônia.

No entanto, não se sabe qual das centenas de provas coletadas diretamente na empresa deram positivo.
Gert Hahne, porta-voz do Ministério de Consumo da Baixa Saxônia, informou na última quarta-feira que a propriedade vendeu seus produtos a uma lanchonete da localidade de Cuxhaven, onde ao menos 18 clientes ficaram doentes. Além disso, um funcionária da propriedade sofreu uma forte diarreia em maio. É a terceira trabalhadora com sintomas relacionados à bactéria. Uma delas chegou a ser hospitalizada. Sabe-se também que cerca de cem pessoas ficaram doentes depois de comer em sete lanchonetes e três restaurantes que compravam da plantação de Bienenbüttel.

O surto de E.coli atraiu uma série de críticas aos pesquisadores alemães, que demoraram semanas para identificar a origem da infecção. Em um primeiro momento, as autoridades de Hamburgo atribuíram o foco do problema a pepinos procedentes de Andaluzia, o que inspirou o alarme sanitário contra esses alimentos e provocou inúmeras perdas econômicas ao setor agrícola espanhol. Na última quinta-feira, a chanceler alemã Angela Merkel saiu em defesa da atuação da atuação de seu governo durante a crise sanitária. Na opinião da chanceler, houve uma "boa coordenação" entre as autoridades competentes.

O secretário de Estado para a União Europeia, Diego López Garrido, descartou na última quinta-feira um processo de Estado contra Estado", da Espanha contra a Alemanha, ainda que o governo espanhol "continue avaliando possíveis ações legais contra as autoridades" regionais de Hamburgo. Uma empresa afetada pela advertência infundada contra os pepinos de Andaluzia, no entanto, reclama na Justiça que não está tendo acesso ao "registro completo do processo que levou à falsa acusação" contra seus produtos.

Fonte: O Globo

Maria Pimenta

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