segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Preços de Camarão

Da lagoa ao prato, camarão fica até 1.000% mais caro no mercado gaúcho

Entre o sul do Estado e Porto Alegre, o camarão pode passar por três mãos diferentes

Guilherme Mazui, Rio Grande/Casa Zero Hora  |  guilherme.mazui@zerohora.com.br

Após a safra escassa de 2010, o camarão reapareceu no sul do Estado. A retomada das capturas, liberadas no dia 1º, abriu a corrida pelo crustáceo, que, na travessia entre a Lagoa dos Patos e a mesa do consumidor, ganha preço conforme o número de paradas.

O camarão médio, com casca, vendido a R$ 12,50 nas bancas do Mercado Público da Capital, deixa o pescador, em Rio Grande, por R$ 4 - uma diferença de 300%. Valor que aumenta conduzido por atacadistas. Se comprado no supermercado, onde não raro é ofertado a R$ 40 ou mais, o produto atinge preço 1.000% maior antes de chegar ao prato do consumidor.

Entre o sul do Estado e Porto Alegre, o camarão pode passar por três mãos diferentes, que, em média, acrescentam 35% em cada venda, incluindo impostos. Isso transforma cidades como Rio Grande, Pelotas e São José do Norte em eldorados do camarão fresco e barato. Se na Capital o crustáceo sai por R$ 12,50 (com casa) e R$ 24,90 (limpo), nas docas do Mercado Público de Rio Grande custa entre R$ 6 e R$ 7 (casca) e R$ 12 e R$ 16 (limpo).

— Aqui, o camarão vem do pescador para a banca e vai para o consumidor. É mais barato, por isso tem fila — diz o vendedor Andrey Lopes, 18 anos, que diariamente abre os trabalhos às 7h.

Nos supermercados locais, os preços variam entre R$ 9 e R$ 40.

A corrida pelo camarão voltou graças ao clima. Se as chuvas de 2009 atrapalharam a safra de 2010, o camarão repareceu em um 2011 precedido de seca. O Laboratório de Crustáceos da Universidade Federal de Rio Grande (Furg) estima que a atual safra supere as 4 mil toneladas.

— O camarão precisa de água com boa salinidade para de desenvolver. Quando chove demais, a Lagoa dos Patos fica doce. Como choveu pouco no segundo semestre de 2010, a água do mar entrou na laguna — explica o professor Fernando Dincao, da Furg.

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Maria Pimenta
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